Terça-feira, 4 de Março de 2008

Entrevista à Dr. Sílvia Cabrita

Entrevista à Dr. Sílvia Cabrita

 

 

Para percebermos melhor a estrutura da nossa cidade a equipa Inovar In Urbe resolveu entrevistar a Dr. Sílvia Cabrita da Divisão de Planeamento e Ordenamento do Território da Câmara Municipal de Faro. Reforçamos que fomos muito bem recebidos, e esta conversa com a Dr. Sílvia alargou os nossos conhecimentos….

 

 

A primeira questão que colocámos foi:

No que consiste, em linhas gerais, o Planeamento e o Ordenamento do Território?

Ao qual a Dr. Sílvia respondeu que o Planeamento e Ordenamento do Território “são duas matérias que ainda possuem muitas áreas de investigação pouco desenvolvidas em Portugal”.

 

E na sua opinião, o Ordenamento do Território e o Planeamento Territorial em Portugal tem sido ambos muito negligenciados, do ponto de vista da formação base e das qualificações dos profissionais que neles intervêem. Ou seja, o que se verifica é que o Ordenamento do Território e o Planeamento Territorial, surgem regra geral associados a outras áreas do conhecimento tal como a arquitectura, a engenharia entre outras, e apesar de lhes serem transversais, considera que um correcto ordenamento do território está indissociavelmente ligado a uma formação de base, e desta forma, à existência de um corpo técnico com sólidos conhecimentos e qualificações nestas matérias.

 

Depois passou a explicar que a grande diferença entre o Ordenamento do Território e o Planeamento, consiste sobretudo na escala de abordagem destas duas matérias, ou seja, enquanto o Ordenamento do Território opera a uma “maior escala”, nomeadamente supra municipal, e está relacionado com a definição da estratégia a implementar, ou mesmo, a protecção de valores naturais e outros, podendo ser materializado em planos tais como o plano de ordenamento da orla costeira (POOC) ou o plano regional de ordenamento do território (PROT). O Planeamento encontra-se, regra geral, associado ao nível municipal e à definição do uso do solo e a sua programação (zonas turísticas, zonas comerciais...), e desta forma aos planos municipais, nomeadamente o plano director municipal (PDM), o plano de urbanização PU), o plano de pormenor (PP) ou mesmo ainda mais especifico o caso dos planos de salvaguarda.

 

O Planeamento é praticamente a concretização do Ordenamento do Território, uma vez que segue as suas linhas gerais, que podem ser lançadas a nível do governo, das entidades regionais como é o caso da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), ou mesmo do Parque Natural da Ria Formosa (PNRF), contudo aproxima-se mais do território enquanto suporte físico das intervenções.

 

Seguidamente perguntámos:

Para o planeamento de uma cidade é necessário conhecer a realidade da população?

Logo, a Dr. Sílvia respondeu que “Claro, nós planeamos, ordenamos o território para os seus utilizadores, ou seja, para as pessoas, desta forma os processos de planeamento têm que ser sempre em função das populações e do interesse público”, e o processo de planeamento, nomeadamente os mecanismos de participação, dá-nos esse feedback.

 

“Tem que haver um planeamento para as pessoas e com as pessoas, para perceber as suas expectativas, as suas necessidades.”

 

Quanto à questão “o que acha da organização da nossa cidade? a Dr. Sílvia respondeu que “a cidade tem ainda grandes deficiências ao nível das acessibilidades, fraca articulação entre as zonas consolidadas e as zonas de expansão, problemas de sinalização, de estacionamento, também falta de espaços verdes..., mas também aspectos muito positivos, é a capital de distrito, é aqui que se localiza a Universidade do Algarve e outros serviços de âmbito regional, e tem importantes recursos naturais e culturais. No seu ponto de vista a cidade “tem aspectos positivos e negativos”.

 

Acha possível reorganizar a nossa cidade sem ter que a “demolir”?

A Dr. Sílvia sorriu, perante a nossa questão, ao imaginar que vinha um sismo e teriamos de construir tudo do início.

“Não podemos ser assim tão radicais. É claro que a cidade tem as suas insuficiências, tal como já as referi anteriormente, mas também dispõe ainda de muitas oportunidades, desta forma, não considero que seja necessário proceder à sua demolição.”

 

“Devemos ainda ter presente que uma cidade não resulta de apenas um processo de crescimento, mas de vários, e ao longo de vários anos/séculos, desta forma, a analise das suas insuficiências de hoje deve ser sempre feita em função da sua história, só assim a poderemos efectivamente entender.”

 

O que tem a dizer sobre o efeito “donut”, que se começa a sentir na nossa cidade?

A Dr. Sílvia acha que este efeito “não é assim tão visível na nossa cidade”, “temos alguns problemas, sobretudo no centro histórico, mas na minha opinião, não é tão acentuado como noutras cidades, onde os centros se encontram maioritariamente terciarizados. Faro ainda dispõe de zonas consolidadas com grande vivência urbana, e a autarquia tem investido na regeneração urbana do centro, na pedonalização, nas actividades de rua... o futuro passara sobretudo pela reposição da função residencial.”

 

 

Quais as principais áreas temáticas de aposta da nossa cidades?

Dr. Sílvia:

“ Na minha opinião, acho que Faro deve apostar claramente na parte cultural, Faro pode ainda desenvolver um turismo de natureza ligado à Ria Formosa e às Ilhas, mas a grande vocação julgo ser a vertente cultural, associada à vertente artística, à parte do espectáculo, e ao património.”

Faro tem grandes potencialidades nesse sentido, e, é uma cidade muito visitada.

 

Como deverão evoluir essas áreas temáticas no futuro?

A Dr. Sílvia explicou que “em planeamento todas as estratégias, programas e objectivos devem ser cruzados com as áreas temáticas que existem no território.” Pelo que considera que no futuro a palavra chave é articulação.

 

 

Que outras cidades, em Portugal ou no mundo, poderão funcionar como referências?

“Em Portugal e em concreto na questão do turismo cultural, considero que em Évora está-se a fazer um bom trabalho, ao longo dos anos tem feito uma aposta clara no planeamento, e apesar de como todas as cidades, ter as suas insuficiências, considero que é um bom exemplo.”

“Fora de Portugal, Barcelona é um bom exemplo, na minha opinião, nomeadamente no que concerne ao planeamento, às artes... é sem duvida uma referência.”

 

 

 

Algumas questões ficaram por responder, por isso, a Dr. Sílvia encaminhou-nos para a Arquitecta Teresa Valente da Divisão do Centro Histórico.

 


publicado por Artes12Faro às 16:56
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